Página inicial
Ponte Vasco da Gama
Como dissemos, o sítio da Conceição foi detectado durante os trabalhos de prospecção arqueológica realizados no âmbito do programa de monitorização dos impactes causados pela construção da nova ponte Vasco da Gama. A vista aérea da área, numa fase de construção dos acessos à ponte (figura 1), é bastante sugestiva da implantação desta estação arqueológica, imediatamente à saída (na direcção de Lisboa) da zona onde a estrada deixa o seu percurso em aterro e passa a seguir um traçado aéreo, assente em pilares, já sobre a zona de sapais e salinas que bordejam o Tejo.

Do ponto de vista administrativo, a estação da Conceição situa-se no concelho de Alcochete, freguesia de S. Francisco, próximo da igreja da Sra. da Conceição, cerca de 300 metros a Sul da estrada nº. 501, que liga o Samouco a Alcochete (v. figura 2). As suas coordenadas UTM são as seguintes: 01.0.5/86,6.

Aquando da nossa primeira deslocação ao sítio onde tinham sido anteriormente detectados os vestígios arqueológicos em apreço, pudemos observar ainda a topografia original do mesmo, aliás registada em cartas e plantas de pormenor (como a que reproduzimos adiante, figura 11). Encontravam-se já avançados os trabalhos de construção do acesso à ponte propriamente dita, mas os campos no lado oriental da mesma mantinham-se intactos (figura 2). No lado ocidental, todavia, encontrava-se já instalado um dos estaleiros da obra, impedindo a observação do solo num extensão considerável.

Logo depois de terminarmos a intervenção de campo, ambas estas zonas (oriental e ocidental) viriam a ser objecto de aterros extensos, de modo a criar plataformas adjacentes à estrada, nas quais se instalarão as estações de serviço para ali previstas (figura 3), as quais impedem hoje o acesso aos locais onde realizámos parte dos nossos trabalhos, designadamente os de escavação, de datação e de recolha de peças e observação de estratigrafias, em sondagens abertas por meios mecânicos.

Nestas condições, a intervenção arqueológica no local foi confinada ao lado oriental da estrada, embora também do lado ocidental se encontrassem vestígios líticos, em menor quantidade. De resto, limitação do tempo útil disponível justifica a possibilidade, desejável, de proceder no futuro a novas prospecções arqueológicas em toda a área envolvente, de modo a detectar outros possíveis focos de concentração de artefactos líticos e estabelecer a dispersão regional do palimpsesto ocupacional que documentam, condição indispensável à melhor caracterização das suas condições de jazida, das alterações pós-deposicionais sofridas, além da sua própria interpretação funcional e histórica.

Na localização escolhida para a estação de serviço considerou-se, em termos geomorfológicos, a mesma ordem de razões que também ajudam a compreender a implantação do sítio arqueológico. Com efeito, encontramo-nos ali no limite frontal, virado ao rio, daquela que, desde os finais do século passado (levantamentos de Paul Choffat adiante referidos), foi identificada como antiga formação plistocénica do Tejo. Os trabalhos mais recentes, dos anos 40 deste século (levantamentos de Georges Zbyszewski), vieram a incluir tal formação no seio de uma sequência escalonada de terraços, constituindo o chamado “terraço baixo”, detectável em grande extensão ao longo da margem esquerda do rio e com desenvolvimento altimétrico compreendido entre cerca de 8 e cerca de 15 metros acima do nível das águas. Embora suavizada por coluvionamentos mais recentes, é ainda perceptível no local a rampa que separa esta plataforma dos depósitos aluvionares modernos onde se desenvolve a faixa mais ou menos ampla de salinas que bordejam o rio. Para o interior, a mesma plataforma, situada a cerca de 8-10 metros acima do nível das águas no sítio arqueológico, sobe muito gradualmente, até atingir os cerca de 15 metros indicados.
Novidades Contactos Links Úteis Informações Úteis Trânsito  
Desenvolvido por: Infopulse Portugal