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4.1. Problemática
da datação relativa das formações sedimentares do local
Além da descrição e interpretação geodinâmica das sequências indicadas anteriormente, seria desejável proceder a tentativa de datação. Para o efeito, seguiram-se duas linhas de aproximação complementares, a saber: consideração dos eventos sedimentares descritos, no quadro de uma cronologia relativa regional, tendo por base os tradicionais critérios cronoestratigráficos e cronoclimáticos utilizados em geologia; e, adicionalmente, o recurso a datações absolutas que permitiram reforçar as conclusões entretanto esboçadas, conferindo-lhes maior solidez e precisão.
A um nível de enquadramento mais amplo, vimos como as formações fluviais documentadas na zona de Alcochete, inseridas como estão no sistema de sedimentação plistocénica do Baixo Tejo, se podem com facilidade assimilar ao chamado “terraço baixo” deste rio. Ficará, assim, definida uma primeira orientação cronológica, posto que sempre a este terraço foi atribuída uma datação grimaldiana, equivalente, ao interglaciário Riss/Würm.
A partir deste enquadramento, seria de esperar reconhecer nesta zona sequências-tipo do seguinte teor: na base, formação de rampas de erosão regressiva, reveladoras do encaixe inicial do rio no substracto detrítico pliocénico, eventualmente sobrepostas por cascalheiras mal calibradas, coluvionares; rampas e cascalheiras, corresponderiam a uma fase plena da glaciação rissiana. Depois, um preenchimento sedimentar transgressivo, atribuível ao Riss-Würm, correspondente ao terraço propriamente dito e que deveria começar pela instalação de horizontes de cascalheira, sobrepostos por níveis cada vez mais finos. Finalmente, o início do novo ciclo wurmiano, repetindo o modelo de sedimentação do ciclo anterior.
A sequência teórica descrita, encontra-se representada nos registos das sondagens efectuadas, conforme se expressa na interpretação correspondente (figura 9).
O ciclo morfogenético e sedimentar rissiano encontra-se aí registado quase por completo, desde a superfície erosiva inicial, até às cascalheiras coluvionares de passagem para o ciclo seguinte. A ausência de depósitos de cascalheira fluvial de base, pode, sem dificuldade, atribuir-se à circunstância de o local em análise corresponder a uma zona periférica relativamente ao leito principal do rio. Pelas mesmas razões, predominam, no registo sedimentar, os episódios transgressivos de baixa energia, com a deposição de siltes e argilas, aliás muito potentes. São estes sedimentos e as cascalheiras de fim de ciclo que configuram, à superfície, o chamado “terraço baixo”, correspondendo a superfície topográfica regular.
Com efeito, verifica-se que a instalação de nova superfície de regressão erosiva, assimilável ao período wurmiano, retalha e destaca uma plataforma mais antiga, que se situa precisamente a cotas entre os 8 e os 13/15 metros, conforme a tradicional definição altimétrica do “terraço baixo”.
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